#HistóriasQueMarcam: as referências do autor do @akapoeta

Autor de dois livros e sensação nas redes sociais, João Doederlein conta as #HistóriasQueMarcam e inspiram sua poesia.

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Todo mundo tem aquele livro que traz uma lembrança boa, não é mesmo? O primeiro que você leu, o que trouxe ensinamentos importantes ou ainda aquele presente de alguém especial. Com o João Doederlein, não é diferente. São inúmeras as #HistóriasQueMarcam a vida do escritor.

Ele começou a escrever aos 11 anos como forma de dar vazão aos seus questionamentos. Dos cadernos para o Tumblr foi um pulo. Algumas redes sociais e pseudônimos depois, João usou seu nome de usuário em seu perfil pessoal no Instagram (@akapoeta) como assinatura.

Com dois livros publicados – “O Livro dos Ressignificados” e “Coração-Granada”, o autor coleciona seguidores e referências literárias nacionais e internacionais.

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Se você quer conhecer as #HistóriasQueMarcam e inspiram o escritor João Doederlein, o @akapoeta, confira o nosso bate-papo!

#HistóriasQueMarcam: as referências literárias de João Doederlein, autor do perfil @akapoeta

Mercado Livre Ideias – Desde quando você tem afinidade com poesia?

João Doederlein – Eu sempre fui apaixonado por ficção e fantasia. Eu gosto muito de escrever ficção, fantasia e prosa. Só que quando eu comecei a escrever, com 11 anos, já estava com questionamentos emocionais, do tipo de quem eu era, o que eu ia fazer, eu gosto da pessoas, mas o que é gostar das pessoas. E isso, quando você cutuca demais o sentimento, a falta de respostas te causa angústia.

Essa angústia, em um dado momento, não sei exatamente o porquê, virou prosa. Mas, com o passar do tempo, eu fui escrevendo e comecei a fazer verso. E eu vi que o verso fluía de forma muito mais natural e me fazia muito melhor depois que eu escrevia. A minha afinidade com a poesia começou dessa forma.

Antes eu estava querendo escrever, angustiado com alguma coisa, não saía. Mas se eu botasse no verso, saía com muita facilidade. Eu sinto, até hoje, o verso de forma muito natural quando eu escrevo.

Meu avô (José Antonio Corsete Doederlein) escrevia poesia também, ele gostava muito. E ele me dava umas poesias que vinham no jornal do Mário Quintana, do Carlos Drummond de Andrade e umas poesias regionais. Ele recortava e me dava. Foi assim que comecei a ter contato com os poetas brasileiros.

Mercado Livre Ideias – Existe algum livro que marcou muito a sua vida?

João Doederlein – Eu imagino o seguinte, têm vários livros que te marcam de formas diferentes. Tem aquele que te marca pela história, pelo significado, pelo momento que você leu. Mas eu vou citar alguns.

Eu sou apaixonado por Harry Potter e foi o primeiro livro que eu li de certa forma. Eu não lembro a minha idade quando o primeiro livro foi lançado, mas antes de sair no cinema, minha mãe comprou e lia para mim na hora de dormir. Conforme eu fui crescendo, e foram lançando os livros, eu lia o capítulo que ela ia ler de noite antes dela para eu treinar. Ele me marcou dessa forma porque foi meu primeiro contato com o que era realmente um livro meu, que minha mãe comprou para mim. Ficava no meu quarto, era o meu livro.

Se eu fosse falar de um livro atual, provavelmente seria da Rupi Kaur, poetisa do Instagram, “O que o Sol faz Com as Flores”. A poesia dela que marca e uma das minha favoritas é uma que ela diz “a ironia da solidão é que todos a sentimos juntos”.

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Mercado Livre Ideias – Qual livro marcou sua profissão como poeta?

João Doederlein – Eu esqueci o nome do primeiro livro do Paulo Leminski, de uma capa laranja. Nunca mais li porque emprestei e não me devolveram. Eu lembro porque minha mãe comprou esse livro para mim quando eu estava no segundo ano do ensino médio.

Eu conseguia me ver muito nas poesias dele como quem escreve também. Quando eu lia Mário Quintana, que é um dos meus poetas preferidos da vida, ele tem métrica. Os poetas mais antigos têm métricas. O Leminski escreve em versos brancos, ele quebrava tudo, fazia coisas diferentes. Ele colocava haikai no livro dele, fazia poesia com e sem métrica. Fazia poesia dadaísta. Ele fazia o que queria. Com ele é “eu vou escrever, vou colocar o verso aqui, porque eu quero fonética, estética ou métrica”.

Mercado Livre Ideias – Qual livro você indica para quem quer seguir a mesma carreira que você?

João Doederlein – Eu nunca li livros de como escrever. Eu já fiz curso de escrita criativa com o Marcelino Freire e com o Maurício Gomyde. Também já vi muito TEDx com poetas. Mas, minha indicação, na verdade, quando alguém pergunta sobre como escrever melhor é que a pessoa foque mais em escrever diariamente.

Você tem que ler porque você precisa das referências. Cada livro que você lê, aumenta o vocabulário de palavras, de metáforas, de analogias, de pensamentos, de sentimentos e de interpretações. E esse vocabulário vai entrando na sua cabeça. Só que se você não treina diariamente uma forma de tirar tudo isso que você aprendeu e uma forma sua de botar aquilo no papel, não adianta ter uma grande reserva de conhecimento.

Eu recomendo ler coisas diferentes e diversificar seus autores. Eu recomendo sempre a Rupi porque ela tem uma escrita simples, mas ainda sim impactante. Indico a Agatha Christie porque tem um estilo muito interessante de progressão na história. E buscar autores nacionais. O Machado de Assis é um que pode entrar facilmente em uma lista de referências.

Não existe fórmula secreta e não existe livro especial. Você lendo e praticando, frequentemente, o importante é diversificar as coisas que você lê. Se você faz isso, você vai entender os estilos diferentes.

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Mercado Livre Ideias – Você já tem dois livros escritos! De onde veio a ideia de escrever o primeiro, “O Livro dos Ressignificados”? Você sempre teve isso em mente?

João Doederlein – Enquanto eu estava treinando minha escrita e crescendo como escritor, comecei a desenvolver meus próprios exercícios, não era só escrever.

Um certo dia, eu estava com um exercício na minha cabeça, depois de uma aula que eu tive com o Marcelino Freire que era: os escritores tinham que conhecer as próprias palavras. Cada palavra tinha um peso diferente para cada pessoa. A gente tem vidas diferentes e histórias diferentes. Por exemplo, para uma pessoa que perdeu a avó a palavra é diferente do que para uma pessoa que ainda tem avó. Um pessoa que é próxima da avó ou que é distante. Tudo depende da sua relação com aquela palavra.

Nessa época eu escrevi a palavra “interesse” para uma pessoa que eu gostava e montei como se fosse um formato de dicionário. Eu tinha interesse na menina e falei o que significava a palavra para mim. Lembrei que ela tinha cabelo rosa, tatuagens e gostava de desenho animado mesmo ela já tendo 23 anos. Então, eu falava: “interesse é aquilo que eu sinto pela cor do seu cabelo, pelas suas tatuagens e pelo fato de você ter 23 anos e ainda gostar de desenho animado”. Isso era interesse para mim.

Coloquei no Photoshop, passei algumas horas e vim com aquele quadrado bege, aquela fonte, aquele jeito. E nasceu o “Ressignificado”, que começou como uma prática para eu entender melhor o poder das palavras e depois um projeto que durou dois anos no Facebook.

Ele cresceu muito e surgiu o interesse das editoras de fazer um livro sobre os ressignificados, como se fosse um coletânea. Para mim, nada mais é do que uma poesia em prosa.

Mercado Livre Ideias – E quanto ao segundo, Coração-Granada, qual foi a inspiração?

João Doederlein – Eu escrevo vários gêneros textuais, gosto de fazer várias coisas, de mesclar. Quando estávamos pensando no segundo livro, falei “não quero fazer um um Livro dos Ressignificados 2”, quero fazer outra coisa. Sugeri para o meu editor um romance. Ele perguntou porque eu não apostava nas minhas poesias. E foi o que fizemos: apostar nas poesias.

É um livro de amor e ansiedade. Fala de um amor que ainda não aconteceu e, ao mesmo tempo, fala de todos os que aconteceram. Sou uma pessoa muito apaixonada, então, a ideia é: eu imagino um grande amor que ainda não aconteceu. Mas, a minha visão é que todos os outros amores que eu vivi poderiam ter sido esse grande amor. Então, ali tem textos dessa progressão de amores. E também a relação com a ansiedade.

Quando estou com crise de ansiedade, a presença de uma pessoa que eu gosto muito é capaz de me confortar, acalmar e de ajudar muito nesse processo. Por isso, eu fiz esse paralelo. O primeiro capítulo fala de amor, o segundo só de ansiedade e o terceiro é sobre o amor e os sinais do amor.

“A ironia da solidão é que todos a sentimos juntos.” – O que o Sol faz com as flores, Rupi Kaur

Histórias Que Marcam - João Doederlein

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