#HistóriasQueMarcam: os livros que marcaram a Clara Averbuck

Com sete livros publicados e muitos textos na bagagem, Clara Averbuck listou as #HistóriasQueMarcam sua trajetória como escritora.

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Se você era adolescente nos anos 1990 e 2000, certamente vai se identificar com o início da produção literária da escritora gaúcha Clara Averbuck. Como muitos jovens da época, ela começou a publicar seus textos na internet utilizando e-mails como canal de divulgação para suas #HistóriasQueMarcam.

Do e-mail para os blogs, dos blogs para os livros, dos livros para as redes sociais, das redes para as colunas… Clara não para e aproveita todas as mídias disponíveis para se conectar com o seu público.

Entre seus sete livros – “Máquina de Pinball”, “Das coisas esquecidas atrás da estante”, “Vida de gato”, “Nossa Senhora da Pequena Morte”, “Cidade Grande no Escuro”, “Eu Quero Ser Eu” e “Toureando o Diabo” – lançados entre 2002 e 2015, a autora se aventurou por gêneros e conversou com leitores de diferentes idades, sempre abordando temas e causas que fazem parte da sua realidade.

Conheça as #HistóriasQueMarcam a trajetória da escritora Clara Averbuck e saiba mais sobre o seu trabalho.

#HistóriasQueMarcam: conheça os livros que marcaram a vida de Clara Averbuck

Mercado Livre Ideias – Quando você criou o seu perfil nas redes sociais foi com a intenção de trocar mais com os seus leitores?

Clara Averbuck – Não é como se eu tivesse resolvido criar um perfil nas redes sociais para falar disso, é parte dos meus assuntos, de quem eu sou, do que eu falo. E eu não falo só disso. Quando eu criei o “Lugar de Mulher”, o assunto ficou mais dinâmico, mas foi uma coisa natural.

Sobre a interação com as pessoas, ela pode ser muito bacana ou muito nociva. A internet faz com que as pessoas se sintam muito íntimas de quem escreve e, às vezes, as pessoas confundem as coisas e passam um pouco da linha.

Eu sou uma escritora, não sou terapeuta, médica, advogada, tem um monte de coisa que eu não posso fazer pelas pessoas. É uma falsa intimidade, porque ninguém sabe da minha vida de verdade. Mas, no geral é muito bacana, as respostas das pessoas são legais.

Mercado Livre Ideias – Agora falando sobre literatura, existe algum livro que marcou muito a sua vida?

Clara Averbuck – É difícil de falar um só! São vários livros para diversos momentos. Mas tem um que foi muito importante na minha vida: o “Pergunte ao Pó”, do John Fante. Eu tinha 19 anos quando eu li esse livro, não foi o primeiro que eu li dele, mas o estilo dele já tinha me cativado muito. É uma maneira muito parecida com a que eu escrevo, tenho uma identificação muito forte com a linguagem dele, com a maneira com a qual ele expressa as coisas.

Quando eu li esse livro, eu entendi que eu me sentiria muito confortável criando um alter ego. Foi quando eu criei a minha personagem, do meu primeiro livro. Tanto que a primeira personagem chama Camila, que é o nome da personagem desse livro. Só que a Camila é a musa dele, eu peguei esse nome e transformei em um sujeito, em um objeto.

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Mercado Livre Ideias – Qual livro você indica para quem quer seguir a mesma carreira que você?

Clara Averbuck – Eu acho que eu indicaria “Pergunte ao Pó” mesmo, porque o personagem é escritor de Hollywood dos anos 30, então é outra pegada. É legal para ver a literatura de uma outra perspectiva, ver as mudanças que tiveram dessa época para cá.

Era uma coisa muito glamourosa, escritores eram as grandes estrelas da parada. Então, quando tinha uma peça de teatro escrita por alguém, a pessoa mais aplaudida não era o ator, era o autor. Entrava no palco e todo mundo reconhecia que ele tinha criado aquilo tudo.

É uma visão muito romântica da literatura dessa época, mas já não é mais assim, tudo mudou. Em 2018, não tem mais nada disso.

Mercado Livre Ideias – Você pode falar um pouco sobre os temas que você escreve em seus livros? Sobre o lugar da mulher, da mulher como uma figura forte…

Clara Averbuck – Desde o meu primeiro livro, eu busquei criar personagens que eu gostaria de ler. Assim como quando eu escrevi livro para adolescentes, eu escrevi um livro que eu gostaria de ter lido quando era adolescente.

Dentro da literatura brasileira eu já encontrei algumas escritoras, especialmente uma, a Carmen da Silva, que tem essa pegada. Mas eu não encontrava nenhum personagem na literatura que eu gostasse, que eu me identificasse. Tanto que as minhas primeiras referências literárias são todas de homem, de personagens masculinos.

Eu me perguntava quais eram as motivações do personagem. No caso do Bandini (de “Pergunte ao Pó”) era ser um escritor, um artista, ter um espaço, conseguir falar, colocar os sentimentos para fora. Por isso que eu me identifiquei tanto com ele, assim como a poesia do Bukowski que eu gosto muito, como Leminski, que trazia várias questões como essa, de comunicação, de botar as coisas para fora de uma forma bem visceral.

Mercado Livre Ideias – Você pode falar mais sobre a Carmem da Silva?

Clara Averbuck – Ela é uma escritora gaúcha que eu descobri num sebo, o primeiro livro dela que eu li chama “Sangue sem Dono”. Foi lançado em 63 no Brasil, mas nunca mais foi publicado. É um dos melhores romances que eu já li na vida, ela é uma grande escritora.

O livro que eu peguei dela no sebo não tinha nem nome na lombada, depois eu fui descobrir que, naquela época, os livros de mulheres não tinham nome na lombada para não espantar o leitor. Isso até hoje acontece, de certa forma, quando tiram o primeiro nome da mulher, como JK Rowling, que pode ser um homem, é um artifício do mercado literário.

A Carmen foi muito importante para a minha descoberta do feminismo mesmo porque, apesar de eu sempre buscar escrever sobre personagens mulheres fortes, independentes, eu não tinha essa visão política ao criar os personagens.

Quando eu descobri que ela escrevia sobre feminismo, fui atrás de tudo o que ela produziu. Ali eu descobri várias coisas e fui me aprofundando no tema, no discurso, que no fim das contas é o que eu faço hoje.

“Um escritor precisa conservar suas energias.” – Pergunte ao Pó, John Fante

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