#HistóriasQueMarcam: os livros que inspiram Vitor Martins

Lançando seu segundo título durante a Bienal do Livro 2018, o escritor Vitor Martins contou para gente algumas #HistóriasQueMarcam e inspiraram sua obra.

Histórias Que Marcam - A bienal é aqui

Quem nunca se apaixonou por um livro por se identificar com um personagem? Esse pode ser um resumo da história do escritor Vitor Martins com a literatura. De um leitor encantado ao se reconhecer em alguns personagens, a um autor dedicado a contar – e recontar – histórias com protagonistas capazes de gerar nos leitores a mesma sensação de representatividade. Em sua trajetória literária, ele também busca escrever #HistóriasQueMarcam.

Com dois livros publicados – “Quinze Dias” e “Um milhão de finais felizes” – e a participação em uma coletânea desenvolvida pela Página 7 sobre personagens LGBTQ+ durante as festas de fim de ano, Vitor Martins já está pensando nas próximas histórias que irá contar para os seus leitores. Mas, antes disso, o autor estará na Bienal do Livro 2018 promovendo seu segundo livro.

Histórias Que Marcam - um milhão de finais felizes

“Um milhão de finais felizes” já está disponível na loja oficial da Livraria Martins Fontes

Em um bate-papo recheado de boas lembranças, o autor nos contou mais sobre as #HistóriasQueMarcam sua vida, suas referências literárias e detalhes sobre a carreira de escritor no Brasil. Confira!

#HistóriasQueMarcam: os livros que inspiram o escritor Vitor Martins

Mercado Livre Ideias – Embora discuta temas muito atuais, seus livros têm um quê de ficção e fantasia. Desde quando você se interessa por esses gêneros?

Vitor Martins – Eu sempre gostei muito de ler e comecei muito novo lendo gibi da Turma da Mônica. Como eu sempre tive incentivo dentro de casa – o que eu acho muito importante – aos poucos fui buscando livros que eu gostasse.

Passei pela fase Harry Potter, que muita gente da minha geração passou também. Era uma válvula de escape de diversos problemas e conflitos que eu tinha comigo mesmo quando eu era mais novo. Eu acabava usando os livros para “fugir” disso, e foi assim que foi nascendo minha afinidade por literatura, especialmente pela ficção e fantasia. Buscando histórias para “fugir” da realidade.

Mercado Livre Ideias – E de todos os livros que você leu, tem algum que marcou muito a sua vida?

Vitor Martins – Essa pergunta é difícil. Como eu comentei, teve aquele boom de Harry Potter na minha geração, foi uma série que formou muitos leitores. Mas quando eu comecei a ler a saga, eu já era leitor formado por causa de “Diário da Princesa”, que era uma série que eu era apaixonado e eu me divirto muito lendo.

Eu pegava essa série emprestada da minha melhor amiga, porque eu não queria que minha mãe soubesse que eu estava lendo um livro de princesas. Então, eu lia na escola. Foi uma série que me marcou muito, porque é muito engraçada. Eu acho que foi a primeira vez que eu gargalhei lendo um livro. Tenho uma lembrança de me divertir muito!

Mercado Livre Ideias – Pensando como escritor, tem algum livro que influenciou de alguma forma o seu trabalho?

Vitor Martins – Eu lembro a primeira vez que li um livro do John Green, em 2008. Foi o primeiro livro dele, “Quem é Você, Alaska?”, antes de estourar com o “A Culpa é das Estrelas”. Li porque achei a capa interessante e o título me chamou atenção.

Aquilo me marcou porque foi o primeiro livro que eu li que saía do juvenil e entrava um pouco na caixa do “jovem adulto” – que não era um segmento tão forte naquela época, principalmente se a gente falar sobre literatura nacional. Foi a primeira vez que eu percebi que era possível escrever um livro que fosse para o público jovem e que tratasse de temas sérios, que não fosse só um juvenil que fala sobre a vida na escola, ou sobre se apaixonar.

Você pode abordar para esse público, quando está lidando com protagonistas adolescentes, temas sérios como saúde mental, depressão, relacionamento complicado com a família, e esse foi o primeiro livro que eu percebi que era possível fazer isso. E foi um estalo.

Mercado Livre Ideias – Qual livro você indica para quem quer seguir a mesma carreira que você?

Vitor Martins – Um livro que me marcou muito e que acho muito legal é o livro do Stephen King, “Sobre Escrita”, que fala sobre como ele escreve e como ele chegou onde chegou.

Eu não tinha lido nada dele, até então, porque eu tenho muito medo de filme e livro de terror. Tinha medo de ser o tipo de livro que eu ia ler e não ia dormir direito à noite. Mas uma amiga recomendou e é inacreditável a maneira que ele fala sobre a profissão de escritor de uma maneira que encanta.

Se você quer ser escritor, você fica deslumbrado, mas ao mesmo tempo, ele coloca seu pé no chão. Mostra todas as dificuldades e todos os problemas que você vai ter que enfrentar e exemplifica com coisas que ele viveu. No fim, você pensa “se até o Stephen King passou pelos mesmos dilemas e mesmas crises que eu estou passando agora, é igual para todo mundo”.

É um livro muito legal, porque dá dicas para vida e também sobre escrita. É muito inspirador.

Mercado Livre Ideias – Você tem dois livros publicados! De onde veio a ideia do primeiro, o Quinze Dias?

Vitor Martins – O primeiro livro que eu publiquei, o “Quinze Dias”, nasceu como uma coletânea, mas ele não foi o primeiro que escrevi. Na verdade, eu tinha uns 16 anos e estava no colégio quando escrevi um livro – nunca publicado – que contava a história de uma banda de escola. Não tinha muita profundidade nem nada, era só um reflexo de tudo o que eu lia aplicado a uma realidade da minha escola, dos meus amigos.

Já o “Quinze Dias”era para ser – na minha cabeça – uma coletânea com quatro contos meus, cada um com uma releitura de um conto de fadas, de uma versão moderna e LGBTQ+.

Quando apresentei essa ideia para a editora já tinha alguns contos desenhados, mas eles falaram para mim: “Vitor, é muito complicado chegar com um livro de contos logo na estreia. A gente quer mostrar uma história inteira, publicar um romance completo, e que não sejam muitas histórias. Você tem quatro histórias, mas escolhe a sua favorita e trabalha nela, transforma num romance”.

Eu acabei escolhendo a história de “Quinze Dias”, que seria, na época, um reconto de “A Bela e a Fera”, e toda vez que eu falo isso, quem já leu fala “nossa, realmente!”. Se você ligar os pontos, parece, mas não fica tão óbvio na história. A ideia começou assim e foi crescendo. Nasceu da minha necessidade de encontrar personagens que me representassem. Porque mesmo começando a ler muito cedo, eu demorei muito para ver um protagonista gay, ainda mais gay e gordo.

Pensei que seria impossível que eu fosse a única pessoa que tinha essa vontade de ler sobre isso e se enxergar em uma história, com certeza existe um monte de outras pessoas que se interessariam, que buscavam se sentir representadas em qualquer forma de mídia, seja nos livros, filmes ou em qualquer lugar.

Mercado Livre Ideias – Tem algum outro livro que marcou sua vida e que você queira mencionar?

Vitor Martins – Estou olhando a minha estante para lembrar… Eu acho que “Com Amor, Simon”, é um livro que me marcou principalmente por ser uma história com um casal gay e um final feliz. Isso foi muito importante na época que eu li!

Estávamos precisando disso porque somos bombardeados pela história do “gay trágico”, que enfrenta dificuldades por sua orientação sexual. “Com Amor, Simon” é um livro que me marcou por conta disso, por trazer uma narrativa diferente, e eu fico muito feliz que ele tenha ganhado tantos olhos. Assim, mais pessoas podem enxergar por essa ótica, sem deixar de entender que isso não é uma realidade absoluta, mas é uma possibilidade.

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Mercado Livre Ideias – Com certeza você tem uma coleção de frases marcantes dos livros que já leu, mas existe algum trecho que mexeu mais com você?

Vitor Martins – É do livro “A Lógica inexplicável da minha vida”, do Benjamin Alire Sáenz, esse é um livro que mexeu muito comigo por diversas formas. O protagonista é filho adotivo de um homem gay, e este homem é o personagem que mais me tocou. É dele uma frase que me marcou muito!

Esse homem está explicando para o filho como ele se arrepende por ter demorado tanto para se abrir para a família dele. Nesse momento, ele fala: “nunca subestime as pessoas que te amam”.

Nós nunca acreditamos que o amor que as pessoas sentem é incondicional. Sempre nos colocamos para baixo e achamos que quando nossa família descobrir, o amor irá acabar. Subestimamos esse amor. Se a família ama de verdade, eles vão nos amar em consequência. Foi um trecho que mexeu muito comigo principalmente pela época que eu li.

“Nunca subestime as pessoas que te amam.” – A Lógica inexplicável da minha vida, Benjamin Alire Sáenz.

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Leia também: #HistóriasQueMarcam: as inspirações do autor do “Neologismos”

A Bienal do Livro é aqui!

Não deixe de participar da nossa primeira Bienal do Livro 2018! O Mercado Livre estará nas quadras H048 e G048, próximo ao Salão de Ideias, entre os dias 3 e 12 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Garanta o seu ingresso e até lá!

 

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