#HistóriasQueMarcam: livros que inspiram o Daniel Bovolento

Há dez anos a frente do blog “Entre todas as coisas” e autor de três livros, o escritor Daniel Bovolento conta as #HistóriasQueMarcam sua vida e carreira.

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Quem nasceu conectado à internet e viveu o chamado “boom da blogosfera” certamente já teve um, ou vários, blogs sobre os mais diversos assuntos. Com o escritor Daniel Bovolento não foi diferente. Ele começou na internet quando ainda estava na escola como um grande hobby. Assim, começou a contar #HistóriasQueMarcam inúmeros leitores até hoje.

Em seu blog atual, o “Entre todas as coisas”, Daniel fala de relacionamentos e comportamento publicando contos e crônicas. Os mesmos estilos que dão a tônica dos seus três livros publicados pela Editora Planeta: “Onde estão as pessoas interessantes?”, “Depois do fim” e “O que eu to fazendo da minha vida?”.

Entre suas referências estão grandes nomes da literatura brasileira contemporâneos como Fabrício Carpinejar, Martha Medeiros, Tati Bernardi e Caio F. Abreu.

Se você quer conhecer um pouco mais sobre as #HistóriasQueMarcam e inspiram o escritor Daniel Bovolento, confira o nosso bate-papo!

#HistóriasQueMarcam: os livros que inspiram o escritor Daniel Bovolento, autor do blog “Entre todas as coisas”

Mercado Livre Ideias – Desde quando você tem afinidade pelos temas que escreve hoje, comportamento e relacionamento?

Daniel Bovolento – Quando eu entrei na faculdade, com 17 ou 18 anos, fui redescobrindo as crônicas – um gênero que eu tinha passado quando estudei literatura no colégio, mas não tinha me pegado.

Comecei a ler e fui por esse caminho – crônicas e literatura contemporânea – e falei: “que legal, vou ler o Fabrício Carpinejar, Martha Medeiros. Vou ler uma galera que está escrevendo mais sintonizada no que eu estou vivendo.”

Eu sempre gostei de falar de relacionamento com os meus amigos para eles me darem conselhos. Sendo muito sincero, era um tema que me chamava muito a atenção porque dava errado. Foi quando eu falei: “Por que eu não começo a escrever sobre isso, já que eu tenho um lugar ali (o blog “Entre Todas as Coisas”) que eu posso começar a falar sobre isso de uma maneira parecida com a que eu leio”.

Em 2011 ou 2012, quando o blog já tinha quase dois anos, eu comecei a mudar um pouco e ir para essa direção, de falar mais de relacionamento e comportamento. Contar as minhas histórias de uma maneira diferente. Foi nessa mudança, quando eu comecei a juntar o que eu lia com as coisas que eu vivi, que saíam as histórias.

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Mercado Livre Ideias – Esses autores que você citou, Martha Medeiros e Fabrício Carpinejar, te influenciaram de certa forma?

Daniel Bovolento – Nossa, bastante! O Carpinejar, quando falo de cronista brasileiro, foi um dos primeiros que comecei a ler. Eles são a galera que sempre estiveram muito em voga na mídia. São os caras que têm colunas em jornal – o Carpinejar, a Martha Medeiros e a Tati Bernardi.

Mercado Livre Ideias – Quando a ideia do seu primeiro livro surgiu? Foi depois do blog, o “Entre todas as coisas”?

Daniel Bovolento – Eu costumo dizer que é ao contrário, o blog cresceu da minha vontade de ter um projeto literário. Eu comecei a escrever, porque eu sabia que um dia eu ia escrever um livro sobre alguma coisa. Só não sabia o que era.

As coisas mudaram um pouco e eu fui escrevendo esse blog. Até que lá, em 2014, que eu mudei do Rio de Janeiro para São Paulo, já com o livro na cabeça. Tinha conversado com algumas editoras menores, passado pela fase do blog pequeno.

Agora ele estava muito grande, visível. Tinha passado pelo Casal Sem Vergonha, que era um dos maiores portais de relacionamento e comportamento, publicado textos que tinham viralizado muito, escrito para outros portais, postado no Papo de Homem, que para mim era uma referência na época.

Muita coisa tinha acontecido e eu falei: “agora, é o momento”. Preciso conversar com alguém para publicar um livro. Foi aí que entrei em contato com algumas pessoas e calhou da Editora Planeta entrar em contato comigo. No finalzinho de 2014, bateram lá no meu e-mail e falaram: “Oi, tudo bem? A gente quer publicar um livro seu.Vamos conversar?”.

Foi assim que aconteceu a minha entrada no mercado editorial. Foi muito diferente da maioria das pessoas que escreve. Eu tive esse privilégio de ter pessoas que acreditavam muito no que eu fazia e que estavam ali para me auxiliar e falando “vamos por esse caminho, vamos por esse”.

Eu falei “olha, eu acho que meu primeiro trabalho tem que ser o que eu tenho feito desde então, o que eu gosto de fazer, que são crônicas”. Na verdade, crônica e contos, porque eu me divido. Textos curtos, narrativas curtas que falam sobre o dia a dia. Foi aí que surgiu “Por onde andam as pessoas interessantes?”, título de um dos textos que viralizou na época e virou o nome do livro. Ele fala sobre a busca de amor nos dias de hoje.

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Mercado Livre Ideias – E os seus outros dois livros vieram mais ou menos da mesma forma? Ou o projeto veio primeiro e depois a conversa para escrever?

Daniel Bovolento – Os outros, na verdade, foram processos completamente diferentes. O primeiro – “Por onde andam as pessoas interessantes?” -, foi um livro que eu fui escrevendo e a ideia era coletar histórias que tivessem essa ligação. Era meio que uma coletânea. Não tinham uma necessariamente uma ligação, uma linha narrativa, uma temática. O que unia todas elas era essa coisa da busca de amor nos dias de hoje e falar de amor.

O segundo livro, que foi o “Depois do fim”, veio aquela pequena pressão de “cara, segundo livro, você tem que falar para as pessoas que não é mais sorte, que você sabe ou que você está tentando realmente escrever”.

Eu já tinha um projeto de escrever um livro sobre fim. Mas de que maneira? Eu não queria seguir a linha do “vou te ensinar a superar alguém”. Queria falar da maneira como se sente o fim. A ideia era construir um livro que fosse do momento em que se está acabando até o momento que você se pergunta se acabou. Falar sobre limbo, aquele momento em que você está cozinhando todas essas emoções. Foi um livro muito mais pensado, cuidado. Ele tem toda uma construção, um projeto fechadinho que eu demorei mais tempo para escrever.

A diferença de lançamento entre eles foi de um ano e pouquinho, mas quando eu entreguei o “Por onde andam as pessoas Interessantes?” e o “Depois do fim”, eu já estava feito. Foi um livro mais cuidadoso.

Depois, veio o “O que eu tô fazendo da minha vida?” que lancei esse ano, no final de abril. Ele também tem uma grande mudança, porque eu não falo só de relacionamento. Dou uma guinada para falar mais sobre comportamento e alguns temas mais delicados, como depressão e ansiedade. Saio da relação com o outro e trago um pouco da relação que cada um tem consigo mesmo.

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Mercado Livre Ideias – De certa forma, você continua falando de relacionamento. Mas mudam os atores…

Daniel Bovolento – Exato. Eu trago outro tipo de relacionamento. Acho que muito baseado nos dois últimos anos da minha vida, nos quais passei por experiências ligadas à depressão e à ansiedade. Escrever sobre isso me ajudou a passar por esse momento. Foram livros que contaram com experiências e processos de escrita completamente diferentes.

Mercado Livre Ideias – Você tem um preferido entre os três?

Daniel Bovolento – Eu acho que cada um deles é preferido por uma razão diferente. Mas é que eu tenho um carinho muito especial pelo “Depois do fim”, que é o segundo. Porque a percepção que eu tenho dele é que é o meu livro mais consciente. Eu participei de tudo, até a escolha da fonte da última página. Ele foi muito mais elaborado. Do jeito que eu queria do início ao fim.

O primeiro, justamente por ser o meu início, tinha muita coisa que eu não entendia desse universo literário. Foi uma grande experiência. Já esse último foi um livro muito emocional para mim, que conta muitas experiências particulares.

 

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Mercado Livre Ideias – De todos os livros que você leu, dos autores que te influenciaram muito, tem algum que marcou a sua forma de criar?

Daniel Bovolento – O meu autor preferido é brasileiro! O Caio Fernando Abreu. É muito bizarra a minha conexão com ele, porque sempre li seus contos de forma espaçada, mas me lembro do primeiro livro dele que eu peguei para ler inteiro. Foi “Morangos Mofados”, o meu livro preferido da vida até hoje. É o livro dele que mais mexe comigo, é muito visceral.

O Caio F. Abreu tem algumas coisas muito particulares dele. Uma escrita livre com jogadas de interlocução no meio do texto: ele está fazendo um texto muito voltado para os personagens e, do nada, ele joga uma pergunta para o leitor. Você tem que voltar e ler o texto de novo para entender com quem ele estava falando.

Quando eu estava escrevendo o primeiro livro, tinha algumas coisas que fazia de propósito justamente para marcar referências a ele. E a minha editora, na época, me mandou um e-mail assim que a gente fechou o livro, falando: “Dani, adorei participar da edição do seu livro e queria te dizer que nos anos 90 eu participei da coletânea do Caio F. Abreu e eu tenho certeza que ele adoraria ter te conhecido”.

Eu me emociono quando leio isso porque não tinha contado para ela dessa minha relação com ele. Para mim, ele é um cara que, até nos romances, por mais que a estrutura seja diferente, me influencia muito no que eu escrevo, no que eu escrevi. E se um dia eu conseguir ser 10% do que ele foi, eu estou feliz.

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Mercado Livre Ideias – Além do Caio Fernando Abreu, tem algum autor que seja muito importante para você?

Daniel Bovolento – Tem alguns, mas acho que por razões diferentes. Por exemplo, mais recentemente li um livro da mesma autora de “Comer, Rezar, Amar”, a Elizabeth Gilbert. Ele se chama “Grande Magia” e fala sobre a história e o processo criativo dela com a escrita e tudo mais.

Eu li esse livro em um momento em que estava me perguntando se eu deveria continuar escrevendo, se era a coisa que eu queria fazer para a minha vida. Nesse momento de dúvida.

Ele, por incrível que pareça, não é o grande best-seller dela. É um livro que eu acho que todo o mundo que escreve e alguma vez já se perguntou se está fazendo a coisa certa, deveria ler, porque tem duas partes, para mim, que são muito fortes.

Ela fala que “Comer, Rezar, Amar” foi o quinto livro dela e só com ele conseguiu ter um título de sucesso. Que a gente fica almejando sempre ter sucesso e que talvez nunca venha de primeira. No caso dela, foi na quinta tentativa.

Em um outro ponto do livro, ela fala que sempre trabalhou em empregos que pagassem as contas dela porque ser escritora não deveria “pagar as contas” e, em momento nenhum, a criatividade dela deveria se sentir obrigada a ser o que faz com que ela sobreviva. Isso me fez pensar muito, porque a gente tem essa ideia de que quer viver do que a gente ama.

Eu tinha muito isso. Eu passei dois anos vivendo de blog. Nesses dois anos, a minha cabeça mudou muito em torno disso, do tipo “será que eu gosto de escrever agora que é meu trabalho?”. Depois que eu li esse livro, mudou muito a minha percepção de escrita e de criatividade, e de como a gente enxerga a nossa relação em fazer o que a gente ama como trabalho ou não.

“O tempo não existe.
O tempo existe, sim, e devora.” – Morangos Mofados, Caio F. Abreu

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